ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO
Chico Izidro
 
 

Hitler era um megalomaníaco. Ponto. Alguém pode dizer: bah, o crítico descobriu a América ou a fórmula da pólvora. O líder nazista, todos sabem, foi pior do que Nero, ou todos os Césares juntos, Napoleão, Pol Pot, mas rivalizou muito com Stalin para ver quem era o mais satânico, e até mesmo com o ainda vivo Kim Jong-Il, ditador da Coréia do Norte. A guerra genocida de Hitler exterminou 50 milhões de vidas entre 1933 (ano em que subiu ao poder) e 1945. Foram 12 anos em que o mundo foi um inferno total.

Só que em Arquitetura da Destruição, lançado há pouco em DVD, com direção de Peter Cohen, e narração do ator austríaco Bruno Ganz (suíço que por ironia interpretou o fascista no fantástico A Queda), não nos é mostrado apenas que o ditador queria exterminar judeus, ciganos e eslavos. Hitler tinha planos de construir cidades gigantescas, que durariam o período que ele sonhava para o seu reinado de mil anos. Linz, na Áustria, aonde ele foi criado, seria uma das privilegiadas com obras faraônicas e muito dos roubos das obras de arte que os nazistas vinham fazendo pela Europa - todo o botim que conseguissem colocar a mão, até garrafas de vinho, quadros e tapetes iriam decorar a cidade. Outra localidade que seria privilegiada seria Berlim, a capital do Terceiro Reich - que se transformaria na maior cidade do planeta.

Além disso, Hitler e seus asseclas sonhavam com um mundo onde só os fortes, leia-se arianos, sobreviveriam. Os fracos pereceriam - leia-se exterminados, seja pelo trabalho escravo, por fuzilamento e nos campos de extermínio. As cenas de matança de doentes mentais e judeus, estes comparados a ratos, mostradas no filme ainda conseguem chocar, apesar de muita gente dizer que o tema se esgotou. Por mim, tem de se mostrar para todas as gerações, "ad eternum" para que tais barbáries não se repitam - infelizmente isso é utópico, pois é só olhar o noticiário da tevê por breves instantes.

A cineasta Leni Riefensthal também foi figura importante no regime, fazendo filmes em que glorificava o regime nazista - dois de seus filmes são clássicos, apesar do que pregavam - Olimpia e O Triunfo da Vontade, que são citados em Arquitetura da Destruição. Aliás, você pode comprar O Triunfo da Vontade em qualquer banca de revista. Eu comprei, vi, e confesso, vomitei até não poder mais.

ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO (Architektur des Untergangs, 1992)

Direção: Peter Cohen.

Narração: Bruno Ganz.

Texto originalmente publicado no blog do autor:

http://www.sala-escura.blogspot.com