- Amor a Toda Prova

- Esses Amores


Chico Izidro
 
 

Amor a Toda Prova


Steve Carell fazia o diferencial como o "doente" chefe Michael Scott na série The Office. O sucesso colocou o ator na rota do cinema, mas tirando O Virgem de 40 Anos e Pequena Miss Sunshine, Carell ainda está devendo. A sua nova investida é Amor a Toda Prova, de Glenn Ficarra e John Requa, que consegue ser mais uma daquelas comédias românticas bobinhas e sem imaginação.

 

Carell é Cal, casado há 25 anos com a namoradinha do colégio, vivida por Julianne Moore. Traído por ela, sai de casa e passa a frequentar um bar, onde não tem sucesso com as mulheres. Acaba sendo "adotado" pelo bon-vivant e sedutor Jacob (Ryan Gosling, de A Garota Ideal). O bonitão e malhado o ensina a ter confiança e ganhar as mulheres. Mas, claro, o que Cal deseja é ter a mulher, Emily, de volta.


Evidentemente que, neste tipo de comédia, todos os personagens que vão surgindo, estão interligados e isso vai sendo mostrado aos poucos, num amontoado de clichês. Um deles: Jacob, apesar de ser um garanhão, quer mesmo ser como Cal, com mulher, filhos, um cachorro...


A presença de Kevin Bacon em Amor a Toda Prova quer mais uma vez reafirmar a famosa teoria dos seis graus de separação, formulada por Richard Gilliam, apaixonado por cinema. Lembram-se? Nesta teoria, qualquer ator ou atriz está ligado ao astro de Footloose, mesmo não tendo trabalhado com ele. O filme recorda a brincadeira. É a única coisa interessante nesta comédia chatinha.

 

AMOR A TODA PROVA (Crazy, Stupid, Love., EUA, 2011)

Direção: Glenn Ficarra e John Requa.

Elenco principal: Steve Carell, Julianne Moore, Ryan Gosling, Emma Stone, Jonah Bobo, John Carroll Lynch, Kevin Bacon.

Cotação: *

 

 

Esses Amores


Claude Lelouch trabalha há mais de 50 anos, fez mais de 40 filmes e dirigiu alguns dos principais atores europeus de todos os tempos. Em Esses Amores, o francês aproveita para falar de seu amor intenso pelo cinema, ao mesmo tempo que conta um século de história da França, entre o começo da I Guerra Mundial e 2011. Tudo passa pela personagem de Ilva (Audrey Dana, de Feliz Que Minha Mãe Esteja Viva), uma mulher que não consegue esconder e suprimir seus sentimentos. Por isso apaixona-se facilmente.


Lanterninha de um cinema na Paris ocupada pelos nazistas e namorada de um estudante de direito, Ilva acaba envolvendo-se com um oficial alemão após pedir que seu pai não fosse executado por causa de um atentado praticado pela Resistência Francesa. Sedutora, faz o germânico tocar a proibida A Marselhesa numa espécie de gaita em pleno escritório das SS. Depois da Guerra, escapa de ser punida pelos seus compatriotas - todas as mulheres que haviam sido amantes de nazistas ou trabalhado para eles ou foram mortas ou tiveram os cabelos raspados - graças à ação de dois soldados americanos, que são como unha e carne: o rico e descendente de índigenas Jim Singer (Gilles Lemaire) e o boxeador negro Bob (Jacky Ido). Ilva viverá um triângulo amoroso com a dupla e uma simples moeda mostrará o destino dos três. Esse envolvimento de Ilva recorda o da personagem de Hanna Schygulla em O Casamento de Maria Braun, de Rainer Werner Fassbinder, de 1979. Uma citação a um outro grande cineasta, morto precocemente.


Além da homenagem ao cinema, a atores famosos (não perca a cena em que Lelouch destaca todos os grandes atores que foram dirigidos por ele), os musicais não são esquecidos. Os últimos 20 minutos de Esses Amores, onde Ilva é julgada por um crime que cometeu, e Lelouch se põe a lembrar sua própria vida no cinema, são de uma emoção que estava faltando.

 

ESSES AMORES (Ces Amours-là, França, 2010)

Direção: Claude Lelouch.

Elenco principal: Audrey Dana, Laurent Couson, Gilles Lemaire, Jacky Ido, Raphaël, Samuel Labarthe, Anouk Aimée.

Cotação: ****