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Absurdo. Absurdo. Absurdo. Três vezes absurdo e repetição.
É de se pensar o que a Fox Film tinha na cabeça ao dar
a direção de um filme pretensamente cerebral como "Aliens
vs Predador" a um diretor de ação barbeiro como Paul
W.S. Anderson. Admito ser ignorante em relação a "Shopping",
seu primeiro filme. Não assisti. Dizem ser sua obra-prima.
Não considero uma tarefa difícil, pois basta um passo
acima da mais baixa média para ser obra-prima desse
cara. "Visões", com o Andrew McCarthy (ei, ele fez "A
Garota de Rosa Shocking" e "Um Morto Muito Louco", merece
desconto), namoro faz algum tempo, na locadora, mas
não tive coragem de assistir. Os motivos? Um relacionamento
muito ruim com W.S..
Minha primeira vez com Paul W.S. Anderson foi a de
praticamente todo mundo da minha geração. "Mortal Kombat".
Até hoje, o melhor filme baseado em videogames. O que
prova que deveriam parar de fazer filmes baseados em
videogames, pois qualquer valor que o filme de Anderson
tem é relativo a nostalgia daquele jogo violento e lindo,
com diversos fatalities e outras bobagens que todo mundo,
eu também, adorava.
A segunda vez com Paul W.S. Anderson foi uma das maiores
decepções da minha vida: "O Enigma do Horizonte". Um
filme que começa maravilhosamente bem e vai desandando,
desandando, até acabar muito mal. Um tremendo clima,
digno da série "Alien" que é destruído por decisões
idiotas, como virar uma seqüência de "Hellraiser" (outra
boa série - pelo menos até o terceiro filme) lá pela
metade.
A terceira vez com Paul W.S. Anderson não foi decepção.
Apesar de trabalhar com um dos meus roteiristas favoritos,
David W. Peoples ("Os Imperdoáveis", "Herói por Acidente",
"Os Doze Macacos" - e não, eu não vou listar "Blade
Runner") e um dos meus atores favoritos, Kurt Russel,
fez uma confusão que até hoje só lembro em detalhes.
Não consigo colar as imagens na minha cabeça. Só lembro
de um vácuo de estilo, coisa que não se sentia nos filmes
anteriores de W.S.
A quarta vez. Ah. A quarta vez. Foi aquele filme de
zumbis que todo mundo adora. "Resident Evil". A segunda
melhor adaptação de um jogo de videogame. O que prova
que deveriam parar de fazer filmes baseados em videogames,
pois qualquer valor que o filme de Anderson tem é relativo
a nostalgia daquele jogo violento e lindo, com diversos
zumbis sendo mortos numa casa. Sim, eu não tenho nostalgia
nenhuma. Só joguei até aquela primeira fase, na casa.
Parece um jogo maravilhoso.
A quinta vez é esse "Alien vs Predador". Então, esqueçamos
W.S. e falemos das duas séries. São séries diferentes,
completamente diferentes, unidas apenas por algum maluco
na Dark Horse Comics que achou uma boa idéia fazer uma
história em quadrinhos sobre eles, depois que se viu
o crânio de um Alien na coleção de "Predador 2". Permitam
a minha ignorância. Li os quadrinhos há dez anos e não
eram meus. Não sei nome de roteirista, não sei nome
de desenhista, mas lembro que era muito bom, ao contrário
do filme. A última revista em quadrinhos que lembro
da Dark Horse era "Alien" desenhado por Richard Corben.
Desde lá, nenhum outro título passou nas minhas mãos,
por falta financeira. Estourou o dólar e eu parei de
colecionar. Citar Corben e falar a série é só para provar
que eu sou mais preguiçoso que ignorante. Os gibis estão
num armário do meu lado, enquanto escrevo este texto.
Não vou abrir e pesquisar. Sim, o filme "Alien vs Predador"
é tão estimulante assim.
A série "Alien" já foi minha preferida. Minha série
preferida de cinema. Eu sempre tive sérios problemas
mentais, pois é uma série bem fraca. "Alien - O Oitavo
Passageiro", de Ridley Scott, é basicamente "Halloween",
de John Carpenter, no espaço, com direção de arte roubada
de "Planeta dos Vampiros" - com um orçamento muito maior,
claro -, de Mario Bava. O filme parece uma espécie de
vingança de Dan O'Bannon contra Carpenter. Não vou arriscar
dizer que os dois têm problemas pessoais, mas acredito
que sim, pois O'Bannon foi co-diretor de "Dark Star"
e não recebeu crédito. Isso deve ter magoado este grande
roteirista e bom diretor. Então, ele fez "Halloween"
no espaço e "Alien - O Oitavo Passageiro" é um filme
mais bem considerado que a obra de Carpenter, pois tem
um algo mais que ninguém nunca me explicou. É um bom
filme, um dos melhores do Ridley Scott.
"Alien - O Resgate", de James Cameron, é o único da
série que ainda amo. Ação, muita ação. Mais suspense
que o primeiro. Uma história que acrescenta à atmosfera.
Personagens mais interessantes, menos enrolação, mais
criatividade. O melhor filme da série e o melhor filme
de Cameron.
"Alien 3", de David Fincher", eu dormi na sessão. Ótima
trilha de Elliot Goldenthal. Ótimo final. E carecas
sem personalidade fazendo fila para morrer.
"Alien 4 - A Ressurreição", de Jean-Pierre Jeunet,
é extremamente criativo. O alienígenas digitais são
mal utilizados, com exceção da cena de perseguição dentro
d'água, uma das melhores da série. O final é assustadoramente
ruim, mas é um bom filme. Como "Alien - O Oitavo Passageiro",
vale pelas imagens interessantes que cria.
A série "O Predador" é bem mais fácil de ser julgada.
O primeiro, dirigido por John McTiernan, é um dos grandes
filmes dos anos 80. Excelente em todo aspecto possível
(conta até com uma boa atuação de Arnold Schwarzenneger,
algo raríssimo), é um filme cheio de suspense, que usa
a ausência do monstro para desenvolver o relacionamento
entre seus personagens. O segundo é o terceiro melhor
filme de Stephen Hopkins, atrás dos excelentes "O Julgamento
Final" e "A Sombra e a Escuridão". É um filme fraco,
com imagens interessantes (mais uma vez) e carregado
pela trilha sonora marcante de Alan Silvestri. Um prazer
assistir esse filme de qualidade questionável na televisão,
pois passa toda hora.
E, agora, seguindo a lógica, tenho que falar de "Alien
vs Predador". Filme terrível. Chato. Desinteressante.
É outro filme baseado em videogame, para falar a verdade
- o terceiro melhor filme baseado num videogame. Tem
mais a ver com um videogame e é a primeira vez que vejo
todo um filme justificar um jogo - talvez não seja a
primeira vez, mas para efeito de efeito fica assim.
É chato, pois não há como participar. É chato, pois
se chama "Alien vs Predador" e a participação mais importante
é a humana. É chato porque não tem sangue e a mocinha
não mostra nem um pouco de pele. É chato porque é todas
as partes chatas de um filme sem a parte boa. É chato
porque tenta aumentar tamanho de tudo (é como aqueles
e-mails que se recebe prometendo aumento de *palavras
censuradas*), mas - olha a frase de efeito - só
aumenta o tédio. É. Hora de terminar a resenha.
ALIEN VS. PREDADOR (Alien vs. Predator,
2004)
Direção: Paul W.S. Anderson.
Elenco: Sanaa Lathan, Lance Henriksen, Raoul
Bova, Ewen Bremner.
COTAÇÃO: **
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