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Os tempos são outros que os da década de 60, mas a
arte da sedução não mudou, e continua viva e presente
nas nossas vidas. "Alfie, O Sedutor" é uma refilmagem
de "Alfie - Como Conquistar as Mulheres", de 1966, em
que o papel do motorista de limusines sedutor foi vivido
por Michael Caine. Nessa nova versão, quem interpreta
Alfie é o bom ator Jude Law, que após "Cold Mountain"
tem a oportunidade de mostrar o seu talento em um personagem
que parece ser simples, mas que possui uma complexidade
sutil. E Jude Law não decepciona: sua atuação é convincente,
e com o seu charme e a sua elegância, consegue dar a
vivacidade que o personagem requer. Alfie é um conquistador
inveterado, que possui um ideal de vida hedonista, para
quem a arte da conquista de belas mulheres e o prazer
é tudo o que importa.
Diferentemente do Alfie de Michael Caine, este de Jude
Law não vive em Londres, e sim em Nova York, e o recurso
utilizado pelo diretor Lewis Gilbert no primeiro filme
é reutilizado agora por Charles Shyer, em que Alfie
fala olhando para a câmera, dirigindo-se ao espectador,
convidando-o a compartilhar a sua vida, as suas conquistas,
tecendo reflexões acerca da vida e dos costumes, dos
relacionamentos humanos: querendo ou não, nos tornamos
confidentes e cúmplices do motorista nesse jogo todo,
que é o jogo da conquista e das suas artimanhas para
conseguir uma mulher por uma noite. Alfie nos conduz
por um passeio pela sua vida: seu apartamento simples
de solteiro, onde raramente passa uma noite, os ternos
de estilista comprados por uma ninharia, a empresa de
limusines onde trabalha com o seu único amigo homem,
Marlon (Omar Epps). Os bancos de trás dos carrões tem
espaço de sobra para encontros com donas de casas solitárias,
como Dorie (Jane Krakowski), por exemplo. Julie (Marisa
Tomei) é a sua "quase" e eterna namorada, a quem recorre
quando precisa de carinho, comida e roupa lavada. Já
em Liz (Susan Sarandon, em participação especial), ele
encontra alguém semelhante a si mesmo, uma mulher mais
velha e experiente que entrega-se à prazeres libidinosos
e relacionamentos efêmeros, descartando as pessoas com
quem sai e os homens com quem mantém relações sexuais.
Até a mulher do melhor (e único) amigo não escapa das
garras do sedutor: ele transa com ela, Lonette (Nia
Long), e a engravida, fazendo refletir, pelo menos temporariamente,
sobre a sua vida e o seu estilo Don Juan.
Os questionamentos de Alfie são sempre apreciados e
compartilhados pelo espectador, que vive consigo as
suas angústias, os seus problemas e as suas crises existenciais.
Há apenas um porém em "Alfie": na primeira metade,
o filme prima pelo excesso de machismo, mostrando um
conquistador calculista e determinado a ir à "caça",
e na segunda metade, quando questiona-se sobre toda
a sua condição e suas atitudes, a ótica passa a ser
mais feminina, primando mais pelo sentimentalismo e
deixando de lado esse lado mais cafajeste do conquistador.
Fica evidente essa separação, mas isso não é necessariamente
um demérito para o filme: "Alfie" é divertido e nos
convida a uma reflexão, sejam homens ou mulheres, conquistadores
ou não. E os trejeitos e a espontaneidade de Jude Law
garantem o ingresso, além da trilha sonora, que tem
nada mais nada menos do que Mick Jagger, além de Dave
Stewart e John Powell.
ALFIE, O SEDUTOR (Alfie, 2004)
Direção: Charles Shyer.
Elenco: Jude Law, Marisa Tomei, Nia Long, Sienna
Miller, Omar Epps, Susan Sarandon.
COTAÇÃO: ***
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