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BOND
BRIGA
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Adriano
de Oliveira
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Não há tempo para pensar: "007 - Quantum of Solace"
(Quantum of Solace, Grã-Bretanha/EUA, 2008), novo
filme do personagem James Bond, começa escanteando a assinatura
da cinessérie (a famosa cena do tiro disparado pelo agente
na mira focada nele) para o final da fita e já vai abrindo
com uma intensa perseguição de carros numa estrada sinuosa.
Está dado o recado, desta vez não haverá espaços para
delineamento profundo de personagens e situações, diálogos
muito espertos, grandes romances humanizadores ou jogo
de cartas modorrento como no anterior, o intelectualmente
mais engajado "Cassino Royale", dirigido por Martin
Campbell. A veia do filme de Marc Forster é o entretenimento,
efetivamente indo ao encontro da tradição da série.
Não que "Cassino..." fosse desprovido de ação,
pelo contrário inclusive. Começava também, ou ainda mais,
trepidante; entanto, com suas preocupações
dramáticas maiores, acabava adquirindo um ritmo
irregular ao longo da sua projeção. "Quantum..."
respira melhor, resgata o timing da aventura -
embora canse pelo grande número de locações. São, entanto,
obras mutuamente dependentes, onde a primeira termina
é o começo da segunda. Logo, temos um díptico seqüencialmente
ligado. Assim, os efeitos do trágico romance entre Bond
(Daniel Craig) e Vesper Lynd (Eva Green) no episódio anterior
assumem ser o motor do presente: 007 é agora alguém atormentado
no seu íntimo por uma traição de quem amava e também um
sujeito sedento por vingança após uma fatalidade.
Poderia se esperar algo que não fosse um protagonista
prestes a explodir?
Em sua sanha por justiça pessoal disfarçada de dever cívico,
Bond vai agindo truculenta e espalhafatosamente, eliminando
fontes de investigação, até. Nesse caminho, cenas de ação
física se empilham. O diretor Forster, não habituado com
o gênero, manda bem, ainda que desprovido de um toque
pessoal. Aqueles que esperavam uma "ação de arte" baseada
no currículo prévio do realizador devem ter se decepcionado.
A cartilha contemporânea do tipo é cumprida à risca, de
modo que caso dissessem ser tal filme dirigido por Greengrass,
Bay ou Scott, poucos duvidariam. Se a sereia do manual
hollywoodiano contemporâneo persuadiu inclusive
o cineasta dos aclamados dramas "A Última
Ceia" e "Em Busca da Terra do Nunca",
então seu canto parece ser realmente poderoso.
Duas passagens de "Quantum of Solace" chamam a
atenção por suas referências implícitas.
O finalzinho da seqüência em que Craig pilota uma moto
pelas ruas de Porto Príncipe alude um pouco a Steve McQueen
em "Fugindo do Inferno" (preferivelmente, 007 sobre
duas rodas foi bem melhor em "O Amanhã Nunca Morre").
E quando Bond se mostra um vingador pessoal e tem suas
credenciais limitadas pela chefe M (Judi Dench), tal fato
remonta à tônica de "Licença para Matar", título
da cinessérie onde curiosamente o hoje esquecido
Timothy Dalton representava, após a era de aventuras
fantasiosas comandadas pelo intérprete Roger Moore,
um agente mais próximo dos livros de Ian Fleming - o mesmo
caso de Craig na atualidade.
Há, sem dúvida, boas cenas de confronto - em especial,
de luta - que comprovam os dotes do agente para sair no
braço (e os de seu intérprete e dublês dele), mas é preciso
aqui observar também outros dois pilares do universo Bond:
o vilão e as bondgirls. Mathieu Amalric
como Dominic Greene impressiona por sua semelhança com
o jovem Roman Polanski e por seu olhar psicopata, mas
não está fadado a ocupar a galeria dos inimigos memoráveis.
A bela ucraniana Olga Kurylenko, que mostrou de modo mais
generoso as suas suntuosas formas em "Hitman - Assassino
47" no ano passado, não marca tanto quanto a jovem
inglesa Gemma Arterton. Esta, mesmo diante de pouco tempo
em cena, com seus cabelos ruivos e sutil sensualidade,
fica muito próxima das bondgirls clássicas de antigamente.
Aliás, é com o infeliz destino da personagem de Arterton
que o longa faz uma menção direta ao memorável
"007 contra Goldfinger".
Em tempo: ao optar por conservar o título original do
longa ao lançá-lo no mercado brasileiro, a distribuidora
acertou. Traduzir a expressão "quantum of solace", de
forma livre ou literal, sem esta perder o significado
original é tarefa impossível. Olhar para um cartaz intitulado
"007 - Quantia de Consolação" ou "007 - Medida da Condolência"
seria um convite a fugir da bilheteria do cinema. Melhor
deixar como está.
007 - QUANTUM OF SOLACE (Quantum of Solace,
Grã-Bretanha/EUA, 2008)
Direção: Marc Forster.
Elenco: Daniel Craig, Olga Kurylenko, Mathieu Amalric,
Judi Dench, Gemma Arterton, Jeffrey Wright, Giancarlo
Giannini, Tim Pigott-Smith, Joaquín Cosio.
Cotação: *** |
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